Polo Vila do Conde


Centro Juvenil de CampanhãVila do Conde, o sonho materializado…

 

O Centro Juvenil de Campanhã (CJC), debatia-se, desde a tomada de posse dos actuais órgãos sociais (1995), com um problema que se traduzia na falta de um espaço alternativo para que os seus rapazes passassem as férias grandes, local esse que deveria estar junto do mar e proporcionar boas condições para a estada agradável das nossas crianças. Este nosso objectivo – a criação de uma colónia de férias – foi comunicado ao então Ministro da Tutela, Ferro Rodrigues, que em visita à sede da instituição, em 1996, se prontificou, dentro das possibilidades do Governo, a ajudar a concretizar esse projecto.

 

Foi então que em 1998 nos decidimos, definitivamente, a criar em Vila do Conde uma colónia de férias para as crianças da instituição, especialmente para aqueles que por diversas razões não iam a casa nas férias grandes.

 

Vila do Conde era um Concelho tranquilo, tinha praia e um ar saudável, estava perto da sede.

 

Após termos encontrado o terreno onde hoje está implantado o Pólo de Vila do Conde, logo demos conta deste nosso sonho à Segurança Social e ao seu director de então, mas fomos informados que a criação de uma colónia de férias não podia ser apoiada financeiramente pelo Estado, ou pelo menos tal seria muito difícil, ou mesmo impossível.

 

Como a instituição estava numa delicada situação financeira, mesmo que fosse possível, a aquisição do terreno, recorrendo ao crédito bancário, a obra não seria iniciada a breve trecho. Contudo, e atendendo às interessantes características do espaço em questão e também ao preço do mesmo, procedemos à sua compra, dando assim inicio ao nosso sonho.

 

No verão de 1999 o terreno de Vila do Conde, servido já de água e luz, muros e portões, foi utilizado, de acordo com a pretensão dos nossos rapazes, para se organizar um acampamento de verão tendo essa tradição sido mantida até à actualidade.

 

Nesse ano de 1999, estando já como Director da Segurança Social do Porto o Dr. Fernando Pinheiro, fomos desafiados a criar um pólo da instituição, para 40 crianças e jovens, pois segundo o referido director, o país necessitava de instituições modernas que fizessem um esforço no sentido de criarem mais vagas e respostas diversas das existentes à data.

 

A instituição existia para isso e já há quase 2 séculos que acolhia (desde 1809), protegia e formava crianças e jovens em risco, pelo que mais um pouco de esforço nesse sentido era algo que entendemos como um dever social e moral.

 

Assim, anuímos ao desafio e candidatámos a obra ao PIDDAC, no ano 2000, tendo sido a mesma aprovada em Orçamento de Estado de 2001, pelo que se lançou a 1ª pedra apenas em Novembro de 2002, que contou com a presença – para além de muitos outros amigos da instituição – e com a bênção do Bispo Emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, ilustre membro do nosso Conselho Superior Consultivo.  

 

Durante dois anos – 2002/2004 – lutamos praticamente sozinhos e sem dinheiro, sem apoio do Estado – que atrasou a entrega da verba referente à comparticipação financeira do PIDDAC, violando assim o compromisso assumido – e somente resolvemos essa questão com o actual Ministro Vieira da Silva – que também comparticipou parte do mobiliário do pólo de Vila do Conde. Para o projecto sair do papel e se tornar realidade a instituição recorreu ao crédito bancário, num valor superior aos 750.000€ (setecentos e cinquenta mil euros), o qual se comprometeu a liquidar, mensalmente, até ao ano 2019.

 

A obra ficou concluída em Dezembro de 2005, com um ano de atraso, e com uma derrapagem financeira na ordem dos 20%, devido ao atraso do financiamento estatal que se cifrou em pouco mais de 30% do valor global da obra de construção e da aquisição do terreno (cerca de 1.600.000€). A existência deste equipamento deve-se à fé dos órgãos sociais e à boa vontade de muitos e muitos cidadãos que apoiaram, através de donativos, a instituição na concretização do sonho de criar um equipamento de referência em termos nacionais aos mais variados níveis.

 

O Pólo de Vila do Conde – inaugurado pela Secretária de Estado Dra. Idália Moniz em Janeiro de 2007 – começou a funcionar em Agosto de 2006, e acolhe 40 crianças e jovens em risco entre os 5 e os 18 anos, e emprega 24 colaboradores, sendo que mais de 50% são residentes no Concelho de Vila do Conde.

 

O grande objectivo do CJC é a defesa dos direitos das crianças e jovens que acolhe, e a sua formação integral, no sentido de, mesmo provisoriamente, preparar esses pequenos cidadãos para regressarem à família de origem, à família alargada, ao seu meio de vida natural, ou sinaliza-los para a adopção e ainda, em certas situações encaminha-los para a autonomia plena.

 

Instituições como a nossa, deficitárias financeiramente, mesmo com grandes projectos e correctas práticas, somente sobrevivem se todos nós, para além do Estado, nos unirmos e cumprirmos o nosso dever social – de cidadania – que se traduz em ajudar aqueles que precisam, e que têm direito a ser protegidos e amados. Cada um de nós precisa apenas de dar aquilo que pode, ou sabe, não com um espírito de “caridadezinha”, mas sim como um cidadão consciente dos seus deveres, humanista e solidário para com o seu semelhante.

 

Ajude-nos a ajudar mais e melhor aqueles que têm o direito de serem protegidos.

 

Bem haja!

 

 

 

 

 
©Centro Juvenil de Campanhã 2009 - Desenvolvido pela epCJC